Nada mais complicado para um sociólogo do que realizar uma auto-descrição. Isso porque esta é, provavelmente, uma das nossas tarefas cotidianas, mas com sutil diferença: buscamos o tempo todo traçar boas descrições de comportamentos sociais, e não de indivíduos. Sendo assim, diante dessa trivial tarefa, as classificações que estabelecemos com facilidade para comunidades, sociedades, etc, se tornam frágeis e pouco representativas. O que me classifica? O que me descreve?Muitos, talvez, argumentariam que nossas profissões, religiões, origem familiar, gênero, dentre algumas outras poucas mais características seriam suficientes para compreender bastante de quem somos nós. Porém, não recorrerei ao fácil nesse esboço de auto-análise. Acredito que, melhor do que dizer o que sou e faço, ou seja, de realizar uma objetivação de mim, mostrar aquilo que não faria pode ser mais característico, honesto e representativo.
Sem mais delongas, eu seria: um sujeito que não ficará sem estudar durante grandes períodos de sua vida; provavelmente nunca serei engenheiro ou médico; nunca ficaria sem praticar esportes; alguém que não é afeito a nada autoritário, mas também não satisfeito com os moldes da democracia atual; não passaria mais de uma semana sem freqüentar alguns dos bares de Belo Horizonte; alguém que não inovaria nem mesmo a máquina de escrever... Enfim, alguém que, acima de tudo, não é.