Enquanto todos aplaudem o assassinato do suposto sanguinário terrorista, cometido pelo alto escalão das forças armadas norte americanas, eufóricos pelo fílmico fim de um símbolo dos grupos anti ocidente, tapa-se diversas formas de autoritarismo e de estraçalhamento das relações internacionais realizadas pelo assassino, no caso, o governo americano.
Recentemente o tão falado site wiklikes divulgou informações sobre os supostos terroristas presos em Guantanamo: parte significativa de tal contingente fora lá enclausurada de forma equivocada.
Relacionemos os dois fatos, exagerando algumas das circunstâncias, para elucidar, no limite, os absurdos por trás da ação norte americana. Em primeiro lugar, ao que tudo indica, o governo paquistanês não tinha informações sobre o plano de assassinato de Bin Laden e, dessa forma, teve seu território invadido sem as devidas autorizações. Em segundo lugar, toda ação militar leva consigo o risco de produzir mais vítimas do que o planejado. A possibilidade de ceifar a vida de inocentes foi extremamente alta (e na verdade, não se sabe se, de fato, não morreram inocentes). Em terceiro lugar, a morte de símbolos dessa magnitude, em geral, desencadeiam eventos relacionados. Como Bin Laden, segundo os Estados Unidos, era um líder terrorista, supõem-se que haverá retaliações por parte dos grupos de terror. Porém, os contragolpes não serão na Casa Branca, tampouco no território americano (o que também seria uma lástima), mas sim em qualquer lugar da Europa ou America Latina, etc. Muitas outras questões poderiam ser aqui enumeradas. De todas essas questões fica a pergunta: mesmo sendo Bin Laden um assassino sanguinário, capaz de organizar ataques devastadores a milhares de inocentes (segundo dizem as versões dos “vencedores”) e de semear uma mentalidade de terror completamente cruel, seria legítima a ação americana?
Por mais que estamos na “Era do Direito” e que a humanidade tenha passado por diversas situações lastimáveis, a cada conjunto de anos passados vemo-nos diante de novas atrocidades cometidas pelas mesmas instituições que pregam a democracia. Sadam Hussein na forca, Bin Laden com um tiro na cabeça... Vejamos até onde nossa crueldade justa é capaz de evoluir.
